The Great Surprise, o inesperado golpe de Cyber Sugar
Desde 1989 compondo músicas, escrevendo letras e tocando bateria, o instrumento que mais gosta, em bandas punk, Alessandro pendurou as baquetas oficialmente em 2006. Por ser um doente viciado em arte resolveu fazer um filme só de brincadeira. O resultado foi o aclamado experimentalista Naturalis! Depois roteirizou um segundo filme que acabou não saindo do papel; vazio e sem chão resolveu investir em novas frentes de produção e resolveu cair pra dentro do som eletrônico. Investiu-se em uma pele virtual intitulada CYBER SUGAR e produziu compilações virtuais que foram espalhadas em sites que abrem espaço para artistas independentes por toda a web. Ele costuma dizer que não fez muito sucesso por ter investido em um tipo de fusão inesperada: trance + tudo(leia-se rock), e que suas musicas não são para embalar festinhas, são para ouvir. Até 2011 produziu quatro álbuns virtuais nesse sentido; com saudade do bom e velho rock’n’roll, puro e visceral, decepcionado com a cena comercial onde todas as bandas são iguais, resolveu produzir um álbum punk. Os trabalhos começaram sem nenhum parâmetro especifico, pra ele era começar e pronto. Entre Março e Julho gravou todas as faixas tocando tudo e cantando, cada “sonzinho” existente na obra foi produzido por ele. A bateria é programada, afinal como já disse o cara pendurou as baquetas. O resultado ganhou o título The Great Surprise, por motivo de coerência, como em todas as obras anteriores que tem sempre um contexto completo como base; mas ao mesmo tempo Alessandro é tão gentil que deixa as interpretações para os espectadores, nunca revelando os porquês dele. The Great Surprise é distribuído na web, como todas as obras anteriores, mas também ganhou duas versões físicas, além de três vídeo clipes independentes e um filme de curta, ainda em produção, que inclui os três clipes citados e mais um monte de coisas que tive a oportunidade de ver. A primeira versão física do álbum é um protesto artístico silencioso e não admitido. O cd é tipo um disco de vinil, com selo de papel no centro, exatamente como os antigos bolachões. A capa também é exatamente como a de um disco de vinil, e vem com encarte e tudo dentro. Onde está o protesto? Você não entendeu? Ora se o cara esta “P%*O pra C@#$%%&O” com a atual cena do rock e fez um disco originalmente punk, e a primeira edição remete a discos de vinil obviamente ele está URRANDO pelo resgate da autenticidade da pedra rolando!! A segunda edição é um cd normal, capinha de plástico, encarte, cd impresso, tudo simples, isso porque a primeira edição foi tão personalizada que cada cd custou uma pequena bagatela; e pior serão pra distribuição gratuita! Mas apesar de toda remissão ao antigo o cara preservou a sofisticação e o disco é interativo, no computador ele roda no autorun pra assistir vídeo clipes, ver fotos, ler textos e linkar pra página de internet, só não dá pra ouvir as musicas pelo menu, pra isso você tem que mandar seu computador executar o cd como se fosse só de áudio, mas este detalhe pra um musico independente que produziu tudo praticamente sozinho não é nada demais, ele teve apoio de apenas alguns amigos pra uma coisa ou outra, como serviços gráficos, softwares e tal. Bem, chega de escrever, vamos ao que interessa: vai ouvir The Great Surprise!
Por Ordine Toledo
